terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A NUDEZ DE GRETA GARBO

Greta Gargo no mar Mediterrâneo, na
década de 1960; a atriz se despediu
do cinema em 1941, com "Duas vezes
meu", mas só viria a falecer em 1990
Jane Fonda devia ter seus 16 anos. Seu pai havia casado com uma socialite italiana e eles estavam no sul da França, onde haviam alugado uma casa à beira do Mediterrrâneo. E muita gente famosa vinha visitá-los. As pessoas raramente reparavam em Jane, que sentia apenas uma adolescente solitária.

Até que, num desses dias, Greta Garbo veio almoçar. Ela olhou para Jane e perguntou: 

- Você gostaria de vir nadar comigo?

Jane tomou um susto. Mas aceitou o convite. Greta Garbo desapareceu e voltou vestida com roupão e touca branca, dessas, próprias para natação. As duas desceram as escadas, se aproximaram do mar. Então, Greta Garbo abriu o roupão e deixou que ele caísse. E ela estava nua. E, para a surpresa de Jane, Greta Garbo não era perfeita. Era uma atleta, era musculosa, mas não era perfeita. Jane ficou tão feliz de descobrir que o que Greta Garbo guardava debaixo do roupão era "apenas" um saudável, que, enquanto Garbo mergulhava, Jane ficou ali, diante de alguma lição que ela sabia ser valiosa. Mesmo assim, foram necessários muitos anos - e muitos reveses - até que ela compreendesse: "Nós não somos destinados a ser perfeitos; nós somos destinados a ser completos."

* * * 

Essa é uma das muitas histórias que Jane Fonda revela na Master Class que gravou para o OWN, o canal de tevê de Oprah Winfrey. Com o mote de "Use a sua vida como uma aula", a série dedica cada episódio a uma personalidade, que reflete sobre o seu percurso de vida. Condoleezza Rice, Morgan Freeman, Ted Turner, Maya Angelou são alguns dos que deram suas Master Class

A de Jane Fonda, em particular, é uma verdadeira preciosidade. Durante mais de 40 minutos, ela relembra a conturbada relação com o pai, o suicídio da mãe, a obsessão com o corpo perfeito e a anorexia e os ensinamentos recebidos de Katharine Hepburn.

O vídeo, em inglês, pode ser visto aqui.

9 comentários:

Diego Rebouças disse...

Eu traduzi

"We are not meant to be perfect, we are meant to be whole." como

"Nós não somos destinados a ser perfeitos; nós somos destinados a ser completos."

mas confesso que não sei se é a melhor tradução para "whole", que quer dizer que a gente é um inteiro, a gente deve se bastar. Esse é o ensinamento de Jane Fonda.

Alan Raspante disse...

Realmente, foi um ensinamento valioso. Muito valioso mesmo.

Agora, essa foto da Garbo na praia também é.

Diego Rebouças disse...

Alan, achei que seria interessante, nesses dias de obsessão pela perfeição, lembrar como desapegar desse conceito de perfeição é algo difícil mesmo para uma estrela de Hollywood, como Jane Fonda.

Lobo disse...

Grande ensinamento. E por mais que eu já tenha lido, e tenham me dito e me mostrado isso várias vezes, ainda assim está difícil de desapegar...

FOXX disse...

é, inteiros funciona bem melhor.

Margot disse...

Diego... gostei tanto da frase. A aceitação plena de nós mesmos é muito difícil. Somos críticos por demais e sempre achamos que está faltando ou passando alguma coisa. Isso em todas as fases e parâmetros de nossa vida. Aceitar a nós mesmos é o mesmo que amar a nós mesmos, e isso nem sempre é fácil e quase nunca nos lembramos do quão importante o é. Obrigada por me dar a oportunidade de conhecer essa frase. Ab.

Ana Pe disse...

Trabalhar o desapego é uma arte... para poucos!

Moisés Mota disse...

Es assisti a este episódio. Jane fala com propriedade da crise dos 40 e do sobe e desce da idade. Até.

Moisés Mota disse...

Mt bom!!!

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