Em tempos de crise, uma das estratégias encontradas pelas sociedades é buscar o passado. Isso porque o passado acende a nostalgia. E a nostalgia, ao mesmo tempo em que traz uma sensação de conforto quase infantil, também abre a possibilidade para as reflexões sobre o tempo atual. Não é raro que, tomados pela nostalgia, nos perguntemos sobre as decisões que tomamos, quem nos tornamos, onde erramos e acertamos.
A 84a. edição do Oscar, realizada no último domingo, é um exemplo. Todos têm voltado suas atenções para os dois longas mais premiados da noite, O artista e A invenção de Hugo Cabret. Ambos evocam o passado e a nostalgia tanto no conteúdo quanto na forma.
Esse também é o caso do ganhador do Oscar de curta de animação, The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore. Articula forma e conteúdo para gerar uma nostalgia que, indiretamente, estimula o espectador a refletir sobre os valores dos dias atuais:
Aliás, esse tipo de estratégia - de responder às crises com nostalgia - está presente de muitas formas. Basta reparar, por exemplo, no texto da propaganda do protetor solar que relativiza o papel da internet e diz que a vida gira em torno do sol. Está tudo aí, aparentemente sem conexão, mas apontando para um mesmo caminho. Basta a gente reparar.

4 comentários:
Belissima reflexão.
De fato, basta a gente analisar e ver que é exatamente assim que a sociedade age, agirá e sempre agiu.
Beijao!
falou tudo.
Relembrar o passado é uma forma de fuga inerente ao ser humano. Engraçado é que ao nos tornarmos nostálgicos em busca de conforto "nunca" nos lembramos que "naquele tempo" também existiram fases ruins. Nos recusamos a relembrá-las. A ilusão faz parte de nós e nos acalentamos para o futuro com visões felizes d'outros tempos. Normal! Ab.
verdade. isso faz bem pra gente.
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